Era um dia frio em Sunisia, e assim como os dias frios em outras partes do reino, a neve caia do céu como a chuva. Guardas caminhavam nas ruas e becos, fazendo a guarda da população, eram mal vistos por todos já que a corrupção tomava conta da cidade... e ter a cabeça decepada em algum desvio de língua não era tão incomum quanto deveria ser. A falsa proteção que passavam era maravilhosa, fingiam que ligavam para o povo enquanto o povo fingia acreditar em toda aquela baboseira. Midrius V era o rei, e assim como qualquer governante tentava manter as aparências mesmo tendo um reino corrompido nas mãos, e era impossível manter as aparências em um lugar tão podre.
Ninguém sabia ao certo quando toda aquela podridão havia começado, alguns culpavam a praga rogada pelos 3 primordiais em Inakim, alguns culpavam o próprio Inakim. Corriam boatos também de que os Clérigos do caos haviam passado por lá a mando de Inakim, e que corromperam o rei Midrius III com as palavras de seu deus. Mas, os mais realistas diziam que aquilo tudo era obra das mãos dos próprios habitantes, e que a corrupção se devia ao fato de que os Humanos são podres... o que era mais fácil de se acreditar, já que algumas partes do reino serviam de refúgio para ladrões e assassinos.
Nas noites frias assim, os homens costumam passar a noite nas grandes tavernas, aquecidos pelo fogo de uma grande lareira, vinho e lindas bailarinas e garçonetes. Esse tipo de lugar é frequentado pela ralé da sociedade, já que os nobres tem os seus próprios meios de passar uma noite assim confortavelmente em suas casas.
É aqui que os jogos de azar acontecem, as brigas, as quedas de braço, a bebedeira... tavernas são também muitas vezes um prostíbulo disfarçado. Homens em busca de um pouco de amor e prazer, mulheres atrás de grandes moedas de ouro...
Regados pela musica, os homens bebem e cantarolam canções sobre grandes cavernas e tesouros, não percebem o homem ali sentado. Quieto, bebericando de sua caneca de vinho, olhando para os demais alegres e felizes. O que passa pela cabeça do homem é quão patética é aquela situação, bebendo e rindo enquanto o reino se desfazia lentamente... onde estavam os antigos rebeldes que outrora ocupavam as ruas com suas espadas e gritos de guerra? Era agora apenas a sombra do que restou dos filhos da revolução, um lugar esquecido pelos Primordiais e abandonado para afundar sozinho. O homem tinha em sua cintura uma bainha muito bela de cor dourada e o cabo de sua espada ostentava lindas jóias, fruto de saques passados.
Já embriagado o homem se levanta, cansara de toda aquela baboseira de prostitutas e bastardos, queria sair daquele lugar apodrecido pela alma dos conformados. Saiu chutando a porta enquanto todos pararam para olhar o homem, escarrou o chão dizendo: "Vocês me dão nojo". Neste momento todos pararam para olhar o homem que saia, e ao fundo se ouviu uma voz firme
-Você é o filho bastardo de Inakim, não é?
-Que blasfêmia é essa, velho louco? -Disse o homem, se aproximando do senhor que o chamava ao fundo.
-Você PRECISA me acompanhar "Pirata".
Os dois saíram da taverna e caminharam até uma das ruelas próximas, o velho parou em frente a uma casa muito antiga e em estado lamentável, tirou sua chave cor de cobre e abriu a grande porta. No interior apenas uma lareira apagada e alguns livros em uma estante, teias de aranha em todos os cantos da parede, uma grande mesa ao centro que ficava em cima de um velho tapete vermelho. Era suja, destruída .. mas com algumas velas e a lareira acesa se tornava aconchegante.
-Sente-se "Pirata". -Disse o velho apontando para uma pequena cadeira ao lado da lareira.
-Então, qual o propósito de eu estar aqui?
-Além de se livrar de uma surra dos bandidos mais perigosos dessa cidade?
-Muito engraçado! Agora me explique a história que havia começado na taverna, é melhor não ser apenas um insulto proferido a toa...
-Pois bem... há muito tempo atrás, quando a matança em Sunisia ainda estava fresca na memória de todos, as lendas diziam que os deuses anunciariam a volta das Grandes Bestas para destruir a cidade corrompida. Nós estamos na cidade corrompida, e eu Pirata, sou um dos oráculos dessa terra.
-Então...
-Eu vi a vinda deles, eu vi a morte deste povo e eu vi o fogo consumindo tudo o que era vivo. Não consegui ver as Bestas em meu sonho, porque sua aparência é desconhecida até para os Primordiais... mas eu vi o futuro desta terra, eu vi o futuro dos Humanos, e eu vi Inakim te escolhendo para triunfar sobre tudo. Você pelo jeito foi um ótimo causador de destruições... Quer ouvir um segredo, Pirata?
-Se você quer me contar, vá em frente...
-Eu era um Clérigo de Inakim, eu era um Clérigo da destruição. Inakim não odeia os seres-vivos, ele tem um amor imenso pelos Humanos porque o erro inicial foi dele. Ele nos jogou no abismo sem volta, eles nos tornou essa maquina de perversão e ódio que vemos hoje em dia, ele quer nos ajudar a mudar a situação em que estamos mas ninguém consegue ver isso. Mas você... você é o escolhido de Inakin, o filho preferido, aquele que vai livrar Eternium de toda a corrupção.
-HAHAHA você deve estar brincando... certo?
-Não. Era o seu destino fazer as coisas que fez com sua vida, era seu destino ser encontrado por mim. Eu nem precisei te procurar Pirata, você veio a mim como estava escrito que seria.
-Eu prefiro não acreditar em você, velho! Não escolhi isso.
-Você não tem escolha.
As palavras soaram como uma tempestade na cabeça de Simon (O Pirata), subitamente caiu em uma turbilhão de pensamentos, viajando por entre cada palavra e frase, mergulhando no futuro de um mundo caótico e destruído, seria esse o sinal que ele precisava ou uma indução mágica do antigo clérigo?
Ao despertar Simon se viu deitado ao chão de uma antiga casa de madeira, mas agora sem a lareira, velas ou sinais que alguém estivera ali um dia. Cabia a ele descobrir como SE ajudar para ajudar aos outros. Esse era o começo.
Ninguém sabia ao certo quando toda aquela podridão havia começado, alguns culpavam a praga rogada pelos 3 primordiais em Inakim, alguns culpavam o próprio Inakim. Corriam boatos também de que os Clérigos do caos haviam passado por lá a mando de Inakim, e que corromperam o rei Midrius III com as palavras de seu deus. Mas, os mais realistas diziam que aquilo tudo era obra das mãos dos próprios habitantes, e que a corrupção se devia ao fato de que os Humanos são podres... o que era mais fácil de se acreditar, já que algumas partes do reino serviam de refúgio para ladrões e assassinos.
Nas noites frias assim, os homens costumam passar a noite nas grandes tavernas, aquecidos pelo fogo de uma grande lareira, vinho e lindas bailarinas e garçonetes. Esse tipo de lugar é frequentado pela ralé da sociedade, já que os nobres tem os seus próprios meios de passar uma noite assim confortavelmente em suas casas.
É aqui que os jogos de azar acontecem, as brigas, as quedas de braço, a bebedeira... tavernas são também muitas vezes um prostíbulo disfarçado. Homens em busca de um pouco de amor e prazer, mulheres atrás de grandes moedas de ouro...
Regados pela musica, os homens bebem e cantarolam canções sobre grandes cavernas e tesouros, não percebem o homem ali sentado. Quieto, bebericando de sua caneca de vinho, olhando para os demais alegres e felizes. O que passa pela cabeça do homem é quão patética é aquela situação, bebendo e rindo enquanto o reino se desfazia lentamente... onde estavam os antigos rebeldes que outrora ocupavam as ruas com suas espadas e gritos de guerra? Era agora apenas a sombra do que restou dos filhos da revolução, um lugar esquecido pelos Primordiais e abandonado para afundar sozinho. O homem tinha em sua cintura uma bainha muito bela de cor dourada e o cabo de sua espada ostentava lindas jóias, fruto de saques passados.
Já embriagado o homem se levanta, cansara de toda aquela baboseira de prostitutas e bastardos, queria sair daquele lugar apodrecido pela alma dos conformados. Saiu chutando a porta enquanto todos pararam para olhar o homem, escarrou o chão dizendo: "Vocês me dão nojo". Neste momento todos pararam para olhar o homem que saia, e ao fundo se ouviu uma voz firme
-Você é o filho bastardo de Inakim, não é?
-Que blasfêmia é essa, velho louco? -Disse o homem, se aproximando do senhor que o chamava ao fundo.
-Você PRECISA me acompanhar "Pirata".
Os dois saíram da taverna e caminharam até uma das ruelas próximas, o velho parou em frente a uma casa muito antiga e em estado lamentável, tirou sua chave cor de cobre e abriu a grande porta. No interior apenas uma lareira apagada e alguns livros em uma estante, teias de aranha em todos os cantos da parede, uma grande mesa ao centro que ficava em cima de um velho tapete vermelho. Era suja, destruída .. mas com algumas velas e a lareira acesa se tornava aconchegante.
-Sente-se "Pirata". -Disse o velho apontando para uma pequena cadeira ao lado da lareira.
-Então, qual o propósito de eu estar aqui?
-Além de se livrar de uma surra dos bandidos mais perigosos dessa cidade?
-Muito engraçado! Agora me explique a história que havia começado na taverna, é melhor não ser apenas um insulto proferido a toa...
-Pois bem... há muito tempo atrás, quando a matança em Sunisia ainda estava fresca na memória de todos, as lendas diziam que os deuses anunciariam a volta das Grandes Bestas para destruir a cidade corrompida. Nós estamos na cidade corrompida, e eu Pirata, sou um dos oráculos dessa terra.
-Então...
-Eu vi a vinda deles, eu vi a morte deste povo e eu vi o fogo consumindo tudo o que era vivo. Não consegui ver as Bestas em meu sonho, porque sua aparência é desconhecida até para os Primordiais... mas eu vi o futuro desta terra, eu vi o futuro dos Humanos, e eu vi Inakim te escolhendo para triunfar sobre tudo. Você pelo jeito foi um ótimo causador de destruições... Quer ouvir um segredo, Pirata?
-Se você quer me contar, vá em frente...
-Eu era um Clérigo de Inakim, eu era um Clérigo da destruição. Inakim não odeia os seres-vivos, ele tem um amor imenso pelos Humanos porque o erro inicial foi dele. Ele nos jogou no abismo sem volta, eles nos tornou essa maquina de perversão e ódio que vemos hoje em dia, ele quer nos ajudar a mudar a situação em que estamos mas ninguém consegue ver isso. Mas você... você é o escolhido de Inakin, o filho preferido, aquele que vai livrar Eternium de toda a corrupção.
-HAHAHA você deve estar brincando... certo?
-Não. Era o seu destino fazer as coisas que fez com sua vida, era seu destino ser encontrado por mim. Eu nem precisei te procurar Pirata, você veio a mim como estava escrito que seria.
-Eu prefiro não acreditar em você, velho! Não escolhi isso.
-Você não tem escolha.
As palavras soaram como uma tempestade na cabeça de Simon (O Pirata), subitamente caiu em uma turbilhão de pensamentos, viajando por entre cada palavra e frase, mergulhando no futuro de um mundo caótico e destruído, seria esse o sinal que ele precisava ou uma indução mágica do antigo clérigo?
Ao despertar Simon se viu deitado ao chão de uma antiga casa de madeira, mas agora sem a lareira, velas ou sinais que alguém estivera ali um dia. Cabia a ele descobrir como SE ajudar para ajudar aos outros. Esse era o começo.

Capitulo II, Parte I - O clérigo